
Nenhum dinheiro no mundo vale um amigo!
Hoje, 20 de julho, é comemorado o dia internacional da Amizade, e para ilustramos esse tema, não há nada melhor do que trazermos à memória a clássica obra literária do escritor francês Antoine de Saint-Exupery, conhecida como: “O Pequeno Príncipe”.
Partindo para a obra, o escritor nos revela a história de um piloto que vivia só, sem algum amigo que pudesse realmente conversar, e que após derrubar seu avião no deserto do Saara, se depara com um garoto conhecido como O Pequeno Príncipe.
A partir de então o piloto se aventura em conhecer mais sobre o principezinho e os diversos planetas por ele habitados, nos quais nos trazem inúmeras reflexões e ensinamentos acerca da existência humana, da fé, do amor, e principalmente da amizade.
Um dos muitos ensinamentos apresentados sobre a amizade, talvez o mais significativo e o que eu quero destacar ao longo deste artigo, consiste especificamente no diálogo entre O Pequeno Príncipe e a Raposa, narrado no decorrer do livro, que é a seguinte:
“E foi então que apareceu a raposa:
– Bom dia, disse a raposa.
– Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
– Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
– Sou uma raposa, disse a raposa.
– Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste.
– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
– Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
– Que quer dizer “cativar”?
– Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
– Procuro os homens, disse o principezinho.
– Que quer dizer “cativar”?
– Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem – Tu procuras galinhas?
– Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços”.”
Só quem já passou pela experiência de tornar alguém comum em uma pessoa única, sabe da verdadeira potência de significado que existe entre o diálogo do Pequeno Príncipe e da Raposa, na qual nos ensina nas entrelinhas que:
1º. Para que uma grande amizade nasça é necessário que ambos se cativem, e cativar significa criar laços;
2º. Cativar exige o mínimo de paciência, tempo, dedicação e ritos – aquilo que faz com que um dia seja diferente dos outros;
3º. Você corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar;
4º. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
Como podemos observar diante do diálogo, a amizade consiste no ato de cativar e nos deixar sermos cativados pelo outro, independente de quem este outro seja, no qual na maioria das vezes é alguém um tanto quanto desconhecido para nós. E criar laços, está totalmente ligado ao vínculo afetivo, sendo tudo aquilo que estabelece uma ligação emocional, afetiva e moral entre duas ou mais pessoas, juntamente através do sentimento de proteção e lealdade de um para com o outro.
Existem também algumas bases para que o sentimento de amizade surja, tais como, sensação de pertencimento, reciprocidade no afeto, ajuda mútua, compreensão e confiança.
Alguns dos benefícios que podemos observar sobre a amizade e que são fundamentais para toda e qualquer criança, são: experiência em viver em sociedade; auxilia na resolução de conflitos e identificação das emoções; desperta o autoconhecimento, criatividade e habilidade sociais; desenvolve senso de empatia, pertencimento e habilidades emocionais; melhora o desempenho cognitivo, social e escolar.
Desta forma, criar laços é algo essencial quando se trata de acolhimento institucional.
Grande parte das crianças que tiveram seus direitos violados, que se encontram sob medida de proteção e foram institucionalizadas, em sua maioria, possuem vínculos afetivos fragilizados.
Quando essas crianças chegam até a Acridas, não é medido esforços de toda a equipe e demais colaboradores ao ensinar a respeito dos vínculos afetivos saudáveis e duradouros. Pois desde sua chegada, são instruídas que são sujeitos de direitos, que precisam ser respeitadas, convivendo em família, em um lar seguro, capaz de suprir todas as suas necessidades, tanto psíquicas, emocionais e sociais, quanto físicas e materiais.
Os vínculos afetivos começam a se criar desde a recepção dessa criança por outras crianças no acolhimento, como também na rotina do dia-a-dia dentro das casas lares com as cuidadoras ali presentes. São exatamente nesses momentos em que se é descoberto a singularidade e a individualidade de cada criança, daquilo que ela mais gosta, como também daquilo que ela mais odeia. São também ensinadas sobre os limites sobre si e sobre o outro, além do respeito e diálogos que devem existir dentro das relações. E é nisso que consiste a amizade.
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