
A ansiedade na infância e adolescência
A Disney Pixar desenvolveu uma animação que gerou grande sucesso nos últimos anos, por atingir tanto crianças quanto adultos. Divertida Mente retrata o funcionamento da mente em diversas fases da vida, através da história de Riley Andersen. A produção foi baseada em pesquisas de Paul Ekman e explora a importância de cada sentimento nas fases da vida.
Recentemente estreou nos cinemas “Divertida mente 2”, trazendo um novo sentimento inesperado na complexidade das emoções da protagonista: a ansiedade. No filme, a ansiedade é uma emoção natural que desempenha um papel importante na nova fase de vida de Riley, ajudando a reagir aos acontecimentos.
O título original de Divertida Mente é Inside Out, que significa de fora para dentro e de dentro para fora, é uma dinâmica de mão dupla. O diálogo das emoções interiores conduz a novas formas de ver o mundo, e novas formas de ver o mundo conduzem a novas emoções.
O sucesso desse filme mostra que assunto de saúde mental tem sido cada vez mais comum, especialmente quando observamos que a população com o maior índice de transtornos de ansiedade do mundo está no Brasil. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 9,3% dos brasileiros sofrem com esse transtorno.
Dentro desse cenário, também há um aumento no índice de ansiedade e depressão infantil, a OMS mostra que, no mundo, a ansiedade entre crianças na faixa dos 6 aos 12 anos saltou de 4,5% para 8% na última década, mostrando a importância de falar sobre o assunto.
Assim como abordado em Divertida Mente 2, nem sempre ansiedade na criança e adolescente é ruim, em certo nível é necessária e natural. Há situações do meio externo que podem favorecer que a ansiedade apareça, o que não indica, necessariamente, que há algo errado. Por exemplo, é normal que elas fiquem mais agitadas com uma viagem, passeio marcado, começo das aulas ou alguma outra atividade nova.
A ansiedade é uma manifestação presente em todo indivíduo. Entretanto, algumas crianças podem desenvolver manifestações mais intensas, principalmente levando em consideração o histórico dessa criança que está em acolhimento institucional por ter vivenciado alguma situação de negligência. Ainda que seja uma medida necessária, o contexto do acolhimento institucional pode trazer para as crianças diversos sintomas psíquicos dolorosos e uma das manifestações possíveis é a presença da ansiedade.
Em algumas crianças, essas novidades podem desencadear sintomas que vão além da agitação e animação intensa. Os sintomas da ansiedade intensa podem vir como perda de sono e apetite, e até mudanças de humor. Nesses casos, a ansiedade não é tratada como uma situação comum e pontual, mas um possível diagnóstico de TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada. É necessário ficar atento na intensidade, frequência e se os sintomas estão afetando o contexto social.
A Karine Missau, psicóloga da Acridas – Associação Cristã de Assistência Social, afirma que é preciso estar atento às situações que desencadeiam essas manifestações, conhecê-las para que melhor sejam trabalhadas de modo que não tragam intensos desconfortos.
“De acordo com o Manual de Diagnóstico (DSM-V) a manifestação intensa de alguns sintomas podem estar ligadas a um possível diagnóstico, mas devem ser avaliadas com atenção, caso perceba que esses aspectos estão interferindo na vida social do indivíduo é importante buscar ajuda de um profissional de saúde para uma avaliação do quadro”, explica.
Uma das principais causas para esse quadro ocorre quando as crianças passam por situações atípicas e estressantes por período prolongado. Podem ser traumas grandes ou leves, porém, contínuos, que a longo prazo afetam muito a sua saúde mental. O principal sintoma da ansiedade infantil é um constante estado de alerta, como se a criança não conseguisse relaxar em nenhum momento.
A ansiedade é uma manifestação presente em todo indivíduo. Entretanto, algumas crianças podem desenvolver manifestações mais intensas, principalmente levando em consideração o histórico dessa criança que está em acolhimento institucional por ter vivenciado alguma situação de negligência. Ainda que seja uma medida necessária, o contexto do acolhimento institucional pode trazer para as crianças diversos sintomas psíquicos dolorosos e uma das manifestações possíveis é a presença da ansiedade.
Ansiedade nas crianças no acolhimento institucional
O Programa de Acolhimento Institucional da Acridas, através da modalidade Casa Lar, acolhe crianças vítimas de algum tipo violência e vulnerabilidade social. Com atividades socioassistenciais, psicológicas, pedagógicas e psicopedagógicas, o propósito é que a criança se sinta em um ambiente familiar.
A psicóloga Karine explica sobre a ansiedade no ambiente de acolhimento institucional “É necessário estar atento às reações e comportamentos apresentados pelas crianças. O nosso papel é promover um local com diálogo, seguro e acolhedor. Além de possíveis encaminhamentos para profissionais da área de saúde mental, como possibilidade de elaboração dos sintomas presentes na vida dessa criança” conta.
Desde 1984, aproximadamente centenas crianças passaram alguma fase da vida na Acridas. É um trabalho de impacto social, mas também de muita responsabilidade, promovendo sempre um olhar atento às necessidades tanto físicas quanto psicológicas dos acolhidos.
Se você deseja fazer parte dessa jornada de amor e transformação, faça uma doação ou seja um voluntário. Nossas crianças acolhidas merecem uma jornada digna de alegria, oportunidades e ressignificação da própria história.
Escrito por Ana Claudia Sguário – Jornalista e analista de marketing da ACRIDAS
Contribuição do Texto – Karine Missau – Psicóloga Institucional da ACRIDAS