
Família, tem lugar?
Sabe aquelas definições de dicionário que você nem imagina que está referindo-se apenas a uma simples explicação sobre o que é o tal substantivo masculino -Lugar, pois bem: “Espaço que ocupa ou pode ocupar uma pessoa, uma coisa: um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar”. Do abstrato ao concreto, um lugar, pode ser apenas um lugar qualquer, uma rua, uma Cidade, um parque; diga-se que também um lugar especial.
Pois bem, e quanto a família, que lugar é esse? Que lugar é esse tão essencial para o individuo singular aprender a ser plural. Do compartilhar, tornar-se parte, ressignificar, do dialogar, do conhecimento infinito, enfim, é vasto. Do Aprender, se encontrar e transformar. A tal da palavrinha: identidade.
Das páginas em branco a serem criadas e recriadas. Estar em família é o lugar do sujeito. A língua portuguesa é complexa por suas classificações gramaticais, conjugações verbais, enfim, inúmeros detalhes que compõe a nossa linguagem escrita. Por exemplo, na frase “A família está reunida na sala de jantar”, quem é o sujeito? Qual forma nominal do verbo? Particípio, Gerúndio, enfim, trabalho para os profissionais com formação em letras.
Caso a resposta for por uma lógica do direito à convivência familiar e comunitária, do social, do direito da criança e do adolescente, de violações de direitos, os esforços seriam para que certamente o sujeito dessa frase fosse: A criança e o Adolescente.
Tem um artigo no Estatuto da Criança e do Adolescente que diz
“É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar com prioridade absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e a convivência familiar e comunitária”.(Artigo 4º Lei. 8.069/90).
Então, todos tem o dever de assegurar a efetivação desses direitos às crianças e aos adolescentes? Bem, se pensar pela lógica do direito, do expresso em legislação, sim. E se a sociedade, comunidade, pensar para além dos muros legais, mas, em fazer parte da história de crianças e adolescentes, e pensar a partir da perspectiva de mudar horizontes, para além da obrigação, para o lugar comum. Há uma canção de Gilberto Gil que diz “Beira do Mar, lugar comum. Começo do Caminhar pra beira de outro lugar”. E se, a sociedade, comunidade, partir do lugar comum? Lugar de estar em família, e construir com essa criança, adolescente um caminho para outros lugares. Por certo que o inicio do caminho a um lugar é a família, e os outros lugares? Tão certo que serão os retratos desse momento do aprender, e se encontrar, e aí, transformar.
E se essas crianças tiverem um lugar para ir?
E se pensar que na sociedade, várias famílias podem ser esse lugar.
Por Carol Cabral – Assistente Social ACRIDAS